Ai, a lua que no céu surgiu Não é a mesma que te viu Nascer dos braços meus Cai a noite sobre o nosso amor E agora só restou do amor Uma palavra: adeus Ai, vontade de ficar Mas tendo de ir embora Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora É refletir na lágrima Um momento breve De uma estrela pura, cuja luz morreu Ah, mulher, estrela a refulgir Parte, mas antes de partir Rasga o meu coração Crava as garras no meu peito em dor E esvai em sangue todo o amor Toda a desilusão Ai, vontade de ficar Mas tendo de ir embora Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora É refletir na lágrima Um momento breve de uma estrela pura Cuja luz morreu Numa noite escura Triste como eu Vinicius de Moraes
Postado por: ![]() Os versos que te dou Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente enquanto teu amor for meu somente, eu farei versos...e serei feliz... E hei de fazê-los pela vida afora, versos de sonho e de amor, e hei depois relembrar o passado de nós dois... esse passado que começa agora... Estes versos repletos de ternura são versos meus, mas que são teus, também... Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que possa perturbar vossa ventura... Quando o tempo branquear os teus cabelos hás de um dia mais tarde, revivê-los nas lembranças que a vida não desfez... E ao lê-los...com saudade em tua dor... hás de rever, chorando, o nosso amor, hás de lembrar, também, de quem os fez... Se nesse tempo eu já tiver partido e outros versos quiseres, teu pedido deixa ao lado da cruz para onde eu vou... Quando lá novamente, então tu fores, pode colher do chão todas as flores, pois são os versos de amor que ainda te dou. J. G. de Araújo Jorge
Postado por: ![]() De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente. Vinicius de Moraes
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O Lenço Dela Quando a primeira vez, da minha terra Deixei as noites de amoroso encanto, A minha doce amante suspirando Volveu-me os olhos úmidos de pranto. Um romance cantou de despedida, Mas a saudade amortecia o canto! Lágrimas enxugou nos olhos belos... E deu-me o lenço que molhava o pranto. Quantos anos, contudo, já passaram! Não olvido porém amor tão santo! Guardo ainda num cofre perfumado O lenço dela que molhava o pranto. Nunca mais a encontrei na minha vida, Eu, contudo, meu Deus, amava-a tanto! Oh! quando eu morra estendam o meu rosto O lenço que eu banhei também de pranto! Álvares de Azevedo
Postado por: Penso em ti EU PENSO em ti nas horas de tristeza Quando rola a esperança emurchecida Nas horas de saudade e morbidez Ai! Só tu és minha ilusão querida Eu penso em ti nas horas de tristeza. Vê quanta sombra me escurece o seio! Que palidez sombria no meu rosto! Tu és a única luz da treva em meio Tu és a minha estrela do sol posto... Contigo a sombra não me tolda o seio. Quando a teus pés o meu viver s'escoa, Esqueço a minha sorte, o meu martírio, Minh'alma como a pomba em sangue voa Para ir se abrigar à tua, ó lírio, Quando a teus pés o meu viver s'escoa ... Bendito o riso desses lábios túmidos! Bendito o meigo olhar tão peregrino! Como o sol abre a flor nos campos úmidos Crenças desperta o teu divino olhar... E o riso, o riso desses lábios túmidos Ai! volve! volve peregrina estrela... Minh'alma é o templo de um amor suave À tua espera o lampadário vela... À tua espera perfumou-se a nave... Ai! volve! volve peregrina estrela! Castro Alves
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SONETO DE VÉSPERA Quando chegares e eu te vir chorando De tanto te esperar, que te direi? E da angústia de amar-te, te esperando Reencontrada, como te amarei? Que beijo teu de lágrima terei Para esquecer o que vivi lembrando E que farei da antiga mágoa quando Não puder te dizer por que chorei? Como ocultar a sombra em mim suspensa Pelo martírio da memória imensa Que a distancia criou — fria de vida Imagem tua que eu compus serena Atenta ao meu apelo e à minha pena E que quisera nunca mais perdida... Vinicius de Moraes
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"ser profundamente amado por alguem nós da força... Amar alguém profundamente nós dá coragem". e-mail
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